Desafio: Vamos sentir?!

Há uma tendência global, aprendida, de correr a matar o que se sente. Dói-me a cabeça tomo comprimido, não durmo tomo comprimido, apetece-me sorrir ao mundo, aperto bem e não deixo sair nem um sorriso, senão ainda me chamam maluca; apetece-me chorar mas não choro que os homens não choram. A tendência global é para não sentir. Tomam-se comprimidos, bebe-se, come-se, fuma-se, fala-se sem parar para calar o que se sente. Mas como o que se sente existe, ele não vai desistir enquanto não for realmente ouvido. E é aí que surgem as pernas partidas, as depressões, as pedras nos rins, e mais uma infinidade de sintomas até chegar aos mais drásticos de todos, os que não têm volta atrás. Pelo caminho, em tanta busca de não sentir, vai-se sentindo uma grande frustração, que no seu íntimo nos quer dizer que não nos estamos a ouvir, a acolher, abraçar, aceitar e amar. As dores querem ser ouvidas. Normalmente pedem-nos apenas: dá-te atenção, dá-te colo, descansa, relaxa. Nesses c...